9 de agosto de 2010

Na Medina de Fez في المدينة القديمة لفاس

Aí vem o burro!












A visita à cidade de Fez começou pelo palácio Dar El Makhzen, residência do rei de Marrocos quando visita a região.


O palácio real, contruído no século XVII, é famoso pelas suas belas portas de bronze douradas. No entanto, os visitantes não passam da porta porque o palácio se encontra fechado ao público.



Mellah - Século XV
Ao lado do palácio real, situado na nova medina de Fes El-Jedid, fica a judiaria mais antiga de Marrocos, mandada construir pelo sultão em 1438. O mellah, um gueto separado da população islâmica por muralhas, diferencia-se dos bairros árabes por as casas terem janelas e varandas de madeira viradas para a rua, enquanto na tradição árabe elas ficam voltadas para um pátio interior.


Tâmaras de diversas variedades
As judiarias tiveram um forte crescimento com a chegada dos megorashim, judeus expulsos de Espanha  em 1492. Em Marrocos vivem hoje, no entanto, pouco judeus, tendo a maior parte deles emigrado para Israel, desde a criação do estado israelita em meados do  século XX. O mellah de Fez abriga uma população predominantemente muçulmana; as poucas famílias judias que não emigraram dedicam-se ao comércio.


Chás
As lojas do bairro judeu, semelhantes a antigos empórios, estão repletas de mercadorias. Em cada uma, é  impressionante a variedade de especiarias e produtos, não embalados, vendidos a peso.



Uma das portas de entrada na medina antiga, Fes El Bali.


Fes El Bali - medina antiga


Porta Bab Boujloud
Medersa Bouanania - escola corânica

Attarine Market - mercado de especiarias


MEDINA é o nome dado ao centro histórico, cercado de muralhas, das cidades árabes. Fez tem duas - Fes El Jadid e Fes El Abib, a nova e a velha. A medina de Fez é a maior de Marrocos; possui 15 mil ruas e as suas muralhas têm a extensão de 25 km. Na medina tudo é separado por setores. As especiarias têm a sua área de venda, mercado ou soukh, assim como os tecidos, os curtumes, as verduras e as jóias. Nada se mistura!
































Mesquita Qaraouiyine e universidade
A mesquita foi fundada em 859, tendo nela funcionado a mais antiga universidade do mundo, anterior a Bolonha, Sorbonne e Coimbra.
O seu minarete quadrado, protótipo dos minaretes do ocidente muçulmano, serviu de referência às demais mesquitas da cidade, para anunciarem a hora da oração.


Akbar Allah - Deus é Grande!

Na cultura muçulmana a pintura e a escultura não se desenvolveram porque o islão não permite representações de Deus nem de Maomé mas, em contrapartida, floriu a arte decorativa dos baixos relevos, com versos corânicos.















Mesquita fechada aos não-muçulmanos. Nela fica o mausoleu de Zaouia Moulay Idriss II, fundador de Fez. Moulay significa homem santo, venerado. Um grupo de mulheres constantemente queima velas e incenso e faz ofertas.


















Cemitério de Bab Guissa









Por-do-sol na necrópole Merinedes

9 de março de 2010

Na Terra de Jheronimus Bosch

's-Hertogenbosch, Floresta do Duque de Brabante


Quando ia, procedente de Amsterdão, a caminho do sul da Holanda, em direção a Antuérpia, na Bélgica, lembrei-me que na bagagem não levava queijos holandeses. Para não perder tempo a entrar e sair de um grande centro urbano à procura de uma loja da especialidade, decidi desviar-me da rota que passava por Breda e ir a 's-Hertogenbosch, capital da província de Brabante do Norte.

No guia da Holanda, do American Express, fiquei a saber - aliciante acrescido para a deslocação - que Den Bosch era a terra natal do pintor flamengo, autor de As Tentações de Santo Antão, famoso tríptico exposto no Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa.



Jesus carregando a cruz, Museu de Schone Kunsten, Gand, Bélgica
Em Den Bosch, como é popularmente designada a cidade de 's-Hertogenbosch, Floresta do duque, em português, não visitei o Centro de Arte Jheronimus Bosch, inaugurado em 2006 e no qual estão expostas reproduções das obras do pintor espalhadas por diferentes museus. Das suas obras, a mais importante coleção está no Museu do Prado, em Madrid, proveniente de encomendas feitas por Felipe II, rei de Espanha. O centro de arte prepara-se para comemorar os 500 anos da morte do pintor, em 1516, aos 66 anos, realizando conferências e outros eventos.



O GPS levou-me à praça onde fica a catedral de Sint-Jans, construída em estilo gótico brabantino. Após as guerras entre católicos e calvinistas no século XVII, o templo, despojado de imagens, serviu de local de culto aos protestantes até 1810, data em que Napoleão Bonaparte o devolveu aos católicos.




A catedral, basílica a partir de João Paulo II, é o maior centro de peregrinação mariano da Holanda. Nela venera-se, desde 1380, a imagem da Virgem Maria, chamada Zoete Moeder, doce mãe.





"Ajude-nos a manter de pé esta catedral" - pede São João, o padroeiro, aos visitantes - para custear as obras de restauro, em curso no exterior.



Depois da visita ao interior da basilica, ricamente ornamentado e repleto de impressionantes quadros e vitrais, fui por esta rua à procura da estátua de Bosch referida no guia do American Express.
A cidade foi fundada em 1185. O castelo, localizado num delta pantanoso, formado por dois pequenos rios, era difícil de ser atacado, ganhando, por isso, o apelido de Dragão Invencível dos Pântanos.



Caminhando por uma movimentada rua de peões cheguei ao Markt, a praça do município, vislumbrando de imediato a estátua erigida ao mais famoso filho da terra, reconhecido pela paleta e pincel nas mãos. Bosch é uma alcunha, em homenagem à cidade onde nasceu, escolhida para assinar obras suas. O nome verdadeiro é Jeroen van Aeken mas também é conhecido por Jeroen Bosch e Hieronymus Bosch, em latim.



Câmara Municipal, uma construção do século XVII, erguida no típico estilo do classicismo neerlandês.



No Markt fica também o mais antigo prédio de tijolos dos Países Baixos, De Moriaan, construído no início do século XIII. Nele funciona um café e o centro de informação turística.


Era dia de feira na praça. Alimentação, vestuário e plantas foram os artigos à venda que me despertaram a atenção.



As tulipas ainda não tinham começado a florir nos campos e jardins por onde passei nesta viagem mas, provenientes de estufas, já as havia na praça à venda.

Fiquei descansado quando encontrei na feira o leitmotiv do desvio da rota para 's-Hertogenbosch, os queijos. Tinha estado em Gouda e nos moinhos de Zaanstad mas não os tinha comprado!

Este rapaz não só me deu a provar os queijos, como ainda me tratou  por sir! Apenas em Calcutá é que outro rapaz, taxista, sem eu ser um lord inglês, me tratou assim. Sabe bem receber tão respeitoso tratamento, muito diferente do você com que alguns empregados de balcão nos brindam em Portugal. Que custa ser cortês e dizer o senhor ou a senhora a um cliente?


O sapo, batráquio vulgar nos pântanos do delta onde a cidade nasceu, está presente nos candeeiros de iluminação pública e é um símbolo familiar do carnaval de Oeteldonk - Colina do sapo - assim chamada Den Bosch nos três dias que antecedem a Quaresma.
Concretizado o objetivo que me levara a Den Bosch parti para Antuérpia.